Aprender a correr devagar para correr rápido

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por Sérgio Rocha

Uma das primeiras coisas que ouvi do técnico Wanderlei de Oliveira quando comecei a treinar com ele foi: “Ô bacana, você precisa aprender a correr devagar para poder correr rápido”. Em nossos bate-papos durante os treinos, me disse que tinha aprendido isso ainda na época de velocista. Ele estava no exterior e quando foi treinar com corredores mais rápidos, notou que as rodagens eram sempre lentas: “Bom, se os caras são mais rápidos que eu e treinam devagar, eu preciso aprender a fazer a mesma coisa”, disse.

Mas como funciona com o Wanderlei? Em geral treinamos 6 dias por semana, sendo que dependendo da época, em 3 deles fazemos treinos de qualidade – tiros, fartleks, etc. Os outros três dias são de rodagens – lentas. Em minha primeira rodagem falei a ele: “Fiz os 10 km para 5:30 min/km”. Reposta: “Muito rápido”. Acertei as rodagens, mas confesso que fui sem confiança para a minha primeira prova sob a batuta de Oliveira, os 10 km da Track and Field do Shopping Villa Lobos. Eu me sentia sem velocidade e sem confiança. O “problema” é que fiz 45 minutos e alguma coisa – marca que há tempos eu não obtia.

Outro treinador e um dos pais do treinamento moderno de corrida, o neo-zelandes ARTHUR LYDIARD também pregava treinos de rodagem feitos devagar (e não o LONG SLOW DISTANCE, ou LSD, erronemante atribuídos a ele). Lydiard foi o treinador de treinador de PETER SNELL, ouro nos 800 m dos jogos olímpicos de Roma/1960 e nos 800 m e 1.500 m em Tókio/64, e também foi o responsável pelo renascimento dos corredores filandeses, como LASSE VIRÉN, que sob sua consultoria foi ouro nos 5.000 m e 10.000 m nos jogos de Munique/72 e Montreal/76.

Agora, lendo “THE BIG BOOK OF ENDURANCE TRAINING AND RACING” (ou “O Grande Livro de Treinamento de Endurance e Competição”) de PHILIP MAFFETONE – treinador de MARK ALLEN, 6 vezes vencedor do Ironman do Hawai -, encontrei mais um defensor das rodagens lentas. A diferença de Maffetone, é que ele usa o monitoramento cardíaco para determinar a faixa de treino de “máxima de performance aeróbica”. No caso, ele usa um calculo bem simples: 180 – idade. Há alguns parâmetros que devem ser usados para que se aumente 5 batimentos para cima ou 5 para baixo.

O que Maffetone defende são 4 meses de treinamento puro no “máximo de performance aeróbica” ou MPA , para só então entrar na fase de treinos de qualidade – ou simplesmente competições. No meu caso, eu teria que fazer todos os treinos na casa de 145 batimentos cardíacos, no máximo. Tá em uma subida e passou o parâmetro? Ande. Segundo Phil, com o passar do tempo, a velocidade com que se corre no MPA vai aumentando paulatinamente.

Se funciona? Deve funcionar. Ele mesmo dá exemplos de atletas que corriam ou faziam triatlo sob seu regime e que atingiram marcas muito boas. Alías, o método de Maffetone recebe respaldo até do autor de “LORE OF RUNNING”, o respeitadíssimo fisiologista sul-africano Tim Noakes.

Bom, eu tenho adotado o MPA para meus treinos de rodagem. Se funcionar em mim, eu aviso!

Contra Relogio

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Guarulhense, desenvolvedor de softwares e soluções web, apaixonado por corridas, fotografia, viagens e muito rock.

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