Psicóloga dá a dica – ‘A corrida pode servir como antidepressivo natural’

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Falta de ânimo, uma sensação de tristeza, pensamentos negativos e ausência de prazer. Esses podem ser alguns dos sintomas de uma doença na qual muitos já ouviram falar, mas nem todos conhecem mais a fundo: a depressão. O tratamento conta com a assistência de psicólogos e psiquiatras, o uso de medicamentos e a prática de atividade física. De acordo com a psicóloga Miriam Barros, o hábito de correr pode ser muito útil no combate à doença, mas o conhecimento do problema também é importante para o tratamento e prevenção. Por isso, o GLOBOESPORTE.COM conversou com a especialista sobre o tema.

Entrevista completa com Miriam Barros

O que é a depressão?

Miriam: É uma doença de ordem química e psicológica. Um transtorno de humor, que pode ter várias causas. Embora não tenha um consenso no meio científico sobre as causas da doença, acontecimentos na vida da pessoa podem deflagrar uma depressão. No organismo, a depressão age como um distúrbio nos neurotransmissores, mas aspectos psicológicos também entram na origem da doença.

Níveis de depressão

M: Basicamente, são três tipos, embora isso não seja categorizado. Tem a depressão profunda, quando a pessoa não sai da cama e nem toma banho. Tem também a versão mais moderada da doença, que é uma mistura. A pessoa não fica prostrada, mas não leva uma vida normal. Além disso, tem a depressão leve, que a gente chama de distimia. É uma tristeza crônica, que interfere na qualidade de vida.

Corrida no combate à depressão

M: Ajuda muito. Inclusive, a corrida é um antidepressivo natural. Isso porque vai produzir substâncias no cérebro que atuam contra a doença, como a dopamina, uma substância que causa bem estar. Além disso, auxilia no melhor funcionamento dos neurotransmissores, fazendo os neurônios funcionarem melhor. A corrida produz uma sensação de bem estar e prazer. Tem também o fator da motivação. A gente fala também para a pessoa depressiva caminhar e correr ao ar livre, porque o sol e a natureza produzem uma sensação de bem estar.

Formas de prevenção

M: Quando tiver problemas, a orientação é procurar ajuda. A pessoa não deve se fechar nos seus problemas. Ter uma rede social ao vivo também é importante. O isolamento é uma das causas que contribui para que a pessoa se deprima. Conviver com os amigos é fundamental, assim como praticar atividades físicas que causem prazer. Outra coisa seria o autoconhecimento. Isto é: avaliar a capacidade de seus próprios limites, o quanto é possível aguentar situações difíceis, se os relacionamentos estão sendo saudáveis. Nunca deixar os problemas chegarem ao limite. Quando chega nesse ponto, dá para tratar, porém é mais difícil.

Substâncias associadas à depressão

M: A depressão está ligada a compulsões alimentares, de bebidas e ao uso de drogas. A pessoa depressiva vai buscar alívio em alguma coisa. É uma forma de tentar se medicar, mas acaba se prejudicando mais. Isso porque cria a dependência e o efeito deste “remédio” acaba sendo muito rápido.

Como identificar a depressão

M: Ao contrário do que muita gente pensa, não é só a tristeza que está relacionada. Ansiedade, pânico, irritação, perda de energia, falta de vontade de fazer qualquer tipo de atividade são sintomas que estão relacionados. Sono excessivo ou a falta dele, pensamento negativo e a falta de prazer também são reflexos. O diagnóstico precisa ser muito bem feito e só um psiquiatra pode fazer essa avaliação e o tratamento.

Consequências

M: Na dúvida, é bom procurar um psiquiatra. Em primeiro lugar, deve-se ter cuidados demais do que cuidados de menos. Esses sintomas interferem no trabalho e na vida familiar. Os sintomas estão tão fortes que prejudica o trabalho. A previsão é que a depressão será a segunda maior causa de afastamento do trabalho até 2020. Além disso, o relacionamento familiar pode ficar muito prejudicado.

Tratamento

M: O tratamento tem que ser farmacológico, à base de remédios. Eles agem de uma forma boa, tirando da situação difícil e criando condições de se fazer uma terapia. Além do tratamento químico, é necessário o apoio psicoterápico, com psicólogo.

Miriam Barros é psicóloga clínica formada pela FMU, psicodramatista formada pela PUC/SOSPS e psicoterapeuta de crianças, adolescentes, casal e família.

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Sobre

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