Como evitar a quebra em treinos e provas de corrida?

Tempo de leitura: 5 minutos

Por: Prof. Nelson Evêncio – Consultor Webrun

“Quebrei naquele treino de subidas” ou “quebrei na parte final daquela corrida” são expressões tradicionais do universo do corredor. Para quem não está familiarizado com esta linguagem, quebrar na corrida é sinônimo de estar correndo em um ritmo e ser forçado a diminuí-lo ou até a abandonar um treino ou uma prova.

Embora seja algo muito temível e indesejado, quebrar é sempre um risco que se corre, sobretudo pelo fato de o corpo humano possuir milhares de variáveis – ou quando se busca superar limites. Quanto maior for seu objetivo e quanto mais você arriscar, mais próximo andará desta linha tênue entre o sucesso e a quebra. Completar um treino ou prova em ritmo conservador é uma coisa, mas sempre que buscar algo, mais como um recorde, o risco será sempre maior. Tanto que não é conhecido um grande atleta em nível mundial que não tenha quebrado alguma vez.

Mas quais seriam os principais motivos para uma quebra em treinos ou provas e os cuidados para evitá-los?

1) Correr provas sem ter treinado – Não existe milagre. Se você não treinou, deve aliviar o ritmo ou nem participar de determinadas provas. Esqueça esta história do “na hora eu me garanto ”, pois provavelmente irá pagar caro. O segredo é treinar na medida certa, tanto na quantidade necessária conforme a distância de prova, como com a qualidade necessária, conforme o objetivo. Do contrário, deve ser consciente, correr com moderação ou até se guardar para uma próxima participação.

2) Correr mais forte do que treinou – É comum a pessoa ter o objetivo de se superar ou de superar algum adversário, mas para isso é necessário muito treino. Se você não treinou para suportar aquela intensidade mais alta de treino ou prova, melhor simplesmente participar sem cobranças, para evitar frustrações ou lesões que poderão inclusive afastá-lo dos treinos posteriormente.

Não adianta querer seguir alguém que está em um estágio ou ritmo muito mais forte do que o seu, pois certamente pagará um preço caro e dificilmente obterá sucesso. Para provas longas como a maratona, o risco de se passar de determinado ritmo de equilíbrio (limiar anaeróbio) e produzir mais resíduos metabólicos do que o organismo consegue remover é um dos maiores vilões das quebras quando menos se espera.

3)Não se alimentar bem antes de treinos ou provas – Treinar ou participar de provas sem estar devidamente alimentado é a mesma coisa que querer que um carro ande 40 quilômetros com 1 litro de combustível. Ele pode dar partida e ir até determinado ponto, mas fatalmente te deixará na mão. Canso de ouvir gente dizendo que está correndo em jejum achando que irá utilizar a gordura como fonte de energia ou porque não consegue ingerir nada antes da prática da atividade física, mas isto é um grande erro.

Como diz o velho ditado: “saco vazio não para de pé ”. Alimente-se bem antes de correr e procure testar alimentos que são de fácil digestão. O ideal é ter uma nutricionista que elabore sua dieta pré, durante, pós-treinos e provas na medida ideal.

4)Não fazer uma hidratação correta – A água não serve somente para matar a sede, mas também para manter o corpo na temperatura ideal. Vale novamente a analogia do carro. Se faltar ou se esquentar muito a água do radiador do veículo, ele para.

Existe também a necessidade de ingestão de bebidas isotônicas depois de determinado tempo, normalmente em provas e treinos acima de uma hora de duração. Por outro lado, tome muito cuidado para não ingerir líquidos em excesso e com isso provocar um desequilíbrio no organismo. Vale aqui também a presença da nutricionista.

5) Não se recuperar direito de treinos ou provas anteriores ou não ter dormido bem – Após um treino ou prova é necessário determinado descanso. Não adianta querer treinar mais sem ter se recuperado do esforço anterior. É como uma mola que foi comprimida e ainda não voltou ao seu tamanho ideal. Sinais de indisposição, dores musculares, articulares e ou até insônia podem estar alarmando uma má recuperação. Treino, descanso, sono e alimentação devem andar sempre muito bem alinhados. Em caso de uma noite má dormida, reduza a distância e o ritmo do treino ou deixe para treinar em outro horário.

6)Encontrar condições climáticas adversas – Uma coisa é correr com clima ameno e outra com clima adverso. Temperatura e umidade relativa do ar são coisas que influenciam diretamente na performance. Quando uma delas ou ambas estiverem muito elevadas, alivie o ritmo e em casos extremos, deixe o treino para outro período.

Não tente correr para recorde pessoal quando a temperatura estiver acima de 27°C, pois neste caso a prova nem deveria ser realizada, já que o risco à saúde aumenta drasticamente. Umidade muito baixa também é algo ruim. Beba bastante líquido e reduza o ritmo.

7)Problemas pessoais – Por último não poderia deixar de citar os problemas pessoais. Assim como é possível que eles influenciem no trabalho e em outros setores da vida, é natural que influenciem também em seu desempenho em treinos e provas. Tem gente que consegue se desligar ou separar as coisas, mas no geral isso não acontece. Estando muito tenso ou muito preocupado com algo, procure aliviar o ritmo dos treinos e ter neste horário um momento de descontração e higienização da mente.

Alguns problemas pessoais podem motivar e fazer com que você consiga extrair algo mais de seu organismo, mas em geral é necessário ser mais cauteloso e correr com moderação, lembrando sempre que haverá outros treinos, outras provas e outras oportunidades na vida.

No mais, arriscou e por algum motivo quebrou na prova? Descanse, identifique o erro, treine e tente novamente. Na história da humanidade sempre foi difícil acertar sem antes ter cometido erros. Como diz o famoso samba: “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!”.

Webrun

Sobre

Guarulhense, desenvolvedor de softwares e soluções web, apaixonado por corridas, fotografia, viagens e muito rock.

//www.diegoronan.com.br